STF Retoma Interrogatórios da Trama Golpista de Bolsonaro

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Autor:Leandro Ciuffo

Nesta terça-feira, 10 de junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma os interrogatórios dos réus do núcleo 1 da suposta trama golpista que teria ocorrido durante o governo de Jair Bolsonaro. O próximo a depor será o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier.

Até a próxima sexta-feira, 13 de junho, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal do golpe, interrogará presencialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e outros seis réus. Eles são acusados de participar do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.


Interrogatórios de Mauro Cid e Alexandre Ramagem

Em audiências anteriores, que duraram cerca de seis horas, o ministro Alexandre de Moraes interrogou o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, sobre as acusações de participação na trama golpista.

Mauro Cid

Mauro Cid, o primeiro a depor, confirmou sua presença em uma reunião onde foi apresentado a Jair Bolsonaro um documento que previa a decretação de medidas de estado de sítio e a prisão de ministros do STF. Cid também confirmou que recebeu dinheiro do general Braga Netto em uma sacola de vinho, para ser repassado ao major do Exército Rafael de Oliveira, integrante dos “kids-pretos”, um esquadrão de elite da força. Durante seu interrogatório, ele afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro esperava encontrar uma fraude nas urnas eletrônicas para convencer os comandantes das Forças Armadas a aderirem à tentativa de golpe e reverter o resultado das eleições de 2022.

Alexandre Ramagem

O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, negou ter usado o órgão para monitorar ilegalmente a rotina de ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o governo de Jair Bolsonaro.


Crimes e Próximos Passos

Os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.

O interrogatório dos réus é uma das últimas fases da ação penal. A expectativa é que o julgamento, que decidirá pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus, ocorra no segundo semestre deste ano.