PGR defende condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe

Ex-presidente pode pegar até 42 anos de prisão se condenado por coordenar organização criminosa para se manter no poder

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Interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668. Foto: Fellipe Sampaio/STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira (14) a favor da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, em ação que investiga uma possível articulação para romper a ordem democrática no Brasil após as eleições de 2022. Segundo o parecer assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, Bolsonaro é apontado como o líder de uma organização criminosa armada que atuou em diferentes frentes para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o documento, o ex-presidente deve responder por crimes como:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado contra o patrimônio da União;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Caso seja condenado com as penas máximas previstas, Bolsonaro poderá pegar entre 39 e 42 anos de prisão.

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Sete aliados também são alvos da PGR

Além da condenação de Jair Bolsonaro, a PGR também pede punição a outros sete aliados próximos, integrantes do que o órgão chama de “núcleo crucial” da tentativa de golpe:

  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin);
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha);
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça);
  • Augusto Heleno (ex-chefe do GSI);
  • Mauro Cid (ex-ajudante de ordens);
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa);
  • Walter Braga Netto (ex-ministro e vice na chapa de Bolsonaro).

Todos são acusados de participar da tentativa de romper a ordem constitucional por meio de ações planejadas que incluíram o uso indevido de órgãos públicos, como a Polícia Rodoviária Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Plano golpista foi estruturado em várias etapas, diz PGR

Para o procurador-geral Paulo Gonet, o plano não foi fruto de improviso. “Houve etapas sucessivas, métodos definidos e o uso da estrutura estatal para tentar manter Bolsonaro no poder”, aponta o texto. Entre as estratégias estariam:

  • Deslegitimação do sistema eleitoral, com ataques às urnas eletrônicas e ao TSE;
  • Pressão sobre comandantes das Forças Armadas para aderirem ao plano;
  • Mobilização popular e criação de acampamentos golpistas em frente a quartéis;
  • Uso da PRF para dificultar o voto no Nordeste, região onde Lula teve mais apoio;
  • Atuação da Abin paralela para monitorar autoridades e disseminar supostas fraudes.

A culminação desses esforços, segundo a acusação, foi a invasão violenta às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, ato considerado o ápice do movimento golpista.

“O apogeu violento desses atos previstos, admitidos e incentivados pela organização criminosa ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023”, escreveu Gonet.

Apesar das ações, a tentativa de golpe não foi consumada por falta de adesão dos comandos do Exército e da Aeronáutica, que resistiram às investidas do grupo.

Condenação de Jair Bolsonaro: próximos passos

A manifestação da PGR é parte do processo de análise das denúncias formuladas contra Jair Bolsonaro e seus aliados no âmbito das investigações do inquérito das milícias digitais e do 8 de janeiro. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por decidir se aceita a denúncia e abre processo contra os acusados.

Se o STF aceitar a denúncia, Jair Bolsonaro se tornará réu e enfrentará julgamento por tentativa de golpe de Estado, o mais grave processo enfrentado por um ex-presidente na história recente do Brasil.

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Redação com Band

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