
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), proibiu a realização de sessões das Comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores nesta terça-feira (22), que tinham como objetivo homenagear o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As reuniões ocorreriam durante o período de recesso branco do Legislativo.
A medida foi formalizada por meio de um ato assinado por Motta, que veta encontros de comissões entre os dias 22 de julho e 1º de agosto de 2025. Até a véspera, a presença de Bolsonaro no evento era considerada certa.
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Contato direto com presidentes de comissões
Antes de oficializar a decisão, Hugo Motta telefonou para os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública, e Filipe Barros (PL-PR), da Comissão de Defesa Nacional, solicitando o cancelamento das sessões. O presidente da Câmara chegou a sugerir que o próprio cancelamento fosse feito por eles, a fim de evitar desgaste institucional. A negociação foi intermediada pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
Diante da resistência e da repercussão, a solução final foi a proibição direta por parte de Motta.
Repercussão e críticas da oposição
Deputados da oposição alegam que as sessões estavam previstas desde a sexta-feira (17) e criticaram a decisão de última hora. Para o líder da oposição, Zucco (PL-RS), trata-se de um impedimento à atuação parlamentar:
“Estamos querendo exercer nosso papel parlamentar”, afirmou.
Embora o Congresso não tenha votado a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que impediria o recesso oficial, tanto a Câmara quanto o Senado adotaram o chamado “recesso branco”, com suspensão da pauta legislativa por duas semanas, como tem sido praxe nos últimos anos.
Estratégia bolsonarista
Mesmo com o recesso branco iniciado em 17 de julho, deputados ligados a Bolsonaro vieram a Brasília para articular respostas às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que impôs novas medidas restritivas ao ex-presidente.
Entre as estratégias planejadas estavam:
- Solicitação de retomada imediata da atividade legislativa, frustrada pelos presidentes da Câmara e do Senado;
- Realização de sessões extraordinárias nas comissões;
- Formação de grupos para discutir comunicação e manifestações públicas.
Próximos passos
Com o fim do recesso branco, os aliados de Bolsonaro planejam:
- No Senado, pautar um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes;
- Na Câmara, avançar com uma PEC pelo fim do foro privilegiado e a anistia aos presos do 8 de Janeiro.
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