A pesquisa espacial na Paraíba deu mais um passo importante com o envio do corpo principal do radiotelescópio BINGO (Baryon Acoustic Oscillations from Integrated Neutral Gas Observations), que partiu do porto de Tianjin, na China, com destino ao Porto de Suape, em Pernambuco. O equipamento será instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, região escolhida por apresentar baixíssimo nível de interferência eletromagnética.
A estrutura é composta por espelhos primário e secundário, torres das cornetas e outros componentes que viajarão em contêineres. A montagem está prevista para ser concluída até 2026. O objetivo do projeto é investigar sinais do universo, como a matéria escura, por meio da captação de ondas de rádio emitidas pelo hidrogênio neutro no espaço — algo que telescópios ópticos convencionais não conseguem detectar.
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O engenheiro sênior Wu Yang, do 54º Instituto de Pesquisa da China Electronics Technology Group Corporation (CETC), explicou que o radiotelescópio foi projetado especialmente para ser montado no Brasil. A estrutura utiliza painéis modulares e treliças, o que facilita tanto o transporte quanto a instalação.
Pesquisa espacial na Paraíba ganha reconhecimento internacional
Com o radiotelescópio BINGO, a Paraíba se destaca no cenário científico internacional. O equipamento, com dimensões comparáveis às de um campo de futebol, permitirá o estudo de fenômenos cósmicos complexos, como a expansão acelerada do universo e a energia escura — uma das maiores incógnitas da astrofísica moderna.
Além da análise da matéria escura, o BINGO poderá monitorar meteoros, satélites e detritos espaciais. Esses dados têm aplicações não apenas científicas, mas também práticas, contribuindo para a segurança espacial e ambiental.
Juazeirinho recebe observatório fruto de parceria com a China
Outro marco da pesquisa espacial na Paraíba foi a inauguração recente do Observatório Astronômico e do Geoespaço da Paraíba, no município de Juazeirinho. O local é fruto de uma parceria entre a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o Observatório Astronômico de Xangai e a Academia Chinesa de Ciências (SHAO-CAS).
O centro conta com dois telescópios e uma Estação de GNSS para o monitoramento da atividade solar e observação espacial. Segundo os físicos Fernando Bertoni e Lourivaldo Mota Lima, os equipamentos também contribuem para o estudo dos detritos espaciais — o chamado lixo espacial — que representa um risco crescente para a Terra.
A presença de satélites desativados em órbita pode gerar impactos ambientais graves, como a contaminação da água e da atmosfera em caso de reentrada descontrolada na Terra. Com os novos equipamentos, a Paraíba amplia sua relevância científica e fortalece sua atuação em pesquisas espaciais de ponta.
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